A volta do irmão do Henfil

Reporter: Geraldo Honorato 0 Responses
*Nota sobre a música O Bêbado e o Equilibrista.

O irmão do Henfil, famoso cartunista brasileiro morto em decorrência da AIDS, era o brilhante sociólogo Heberth de Souza, o Betinho, também vítima da mesma doença.

No final dos anos 70, Betinho, opositor ao regime militar instalado com o Golpe de 1964, encontrava-se exilado na França. Tinha definido que, diante do conturbado cenário político, não voltaria mais a viver no Brasil.

Também achava que não valia mais a pena lutar contra a repressão, já que tantas pessoas perderam a vida em nome da causa e nem por isso os militares deixaram de desfrutar do apoio da maioria da população.

Até que a dupla João Bosco (música) e Aldir Blanc (poesia) escreveu “O bêbado e o equilibrista”, que, em tom de metáfora, bradou o sonho da liberdade política, e cravou para a história o verso “Brasil que sonha com a volta do irmão do Henfil”. Pronto, Betinho transformou-se em signo da luta contra a ditadura.

O sociólogo, ainda em Paris, ouviu a canção pela primeira vez por telefone. Retornou ao Brasil logo após a anistia e, por fim, entendeu que “o show tem que continuar”. Sempre!

Read more...

O bêbado e o equilibrista (João Bosco e Aldir Blanc)

Reporter: Geraldo Honorato 0 Responses
Caía a tarde feito um viaduto
E um bêbado trajando luto me lembrou Carlitos
A lua tal qual a dona do bordel

Pedia a cada estrela fria um brilho de a...lu...guel
E nuvens lá no mata-borrão do céu
Chupavam manchas torturadas, que sufoco louco
O bêbado com chapéu coco fazia irreverências mil
Prá noite do Bra...sil, meu Brasil
Que sonha com a volta do irmão do Henfil
Com tanta gente que partiu num rabo de foguete

Chora a nossa pátria mãe gentil
Choram marias e clarisses no solo do Brasil
Mas sei que uma dor assim pungente não há de ser inutilmente
A espe...rança dança na corda bamba de sombrinha
E em cada passo dessa linha pode se ma...chu...car
Azar, a esperança equilibrista
Sabe que o show de todo artista
tem que continuar

Read more...

Ode para tal

Reporter: Geraldo Honorato 0 Responses
Transita espigada balançando os braços e as cadeiras pelos corredores vazios de boas idéias. Sacode os cachos tonalizados e coça o olho de maneira especial, de forma a provocar olhares incautos de praticamente todos os circundantes.

Nada parece que é natural. Tenho a impressão de que tudo é treinado e artificial. De tão ensaiado e decorado, tornou-se parte do “seu” ser, como fazem as top models que levam para o dia-a-dia (foda-se o novo acordo ortográfico) o ar andrógino e os trejeitos esquisitos das passarelas.

Se pudesse estabelecer uma comparação de momento para defini-la, o faria talvez com a autora do relato de “A Casa dos Budas Ditosos”. Arpia, sádica, sacana, escrota, envenenada, traidora nata. Helena de Tróia? Um dia talvez, mas ainda terá que melhorar muito.

Fêmea dominante, estaria certamente na arca de Noé dos seres humanos. A camisa dez da seleção feminina de futebol de todos os tempos. Alías, a camiseta de número nove lhe cairia melhor, pois o seu perfil é mais de centroavante do que de meio-campista de armação. Com a bola nos pés, seria uma espécie da Dadá Maravilha de saias, uma matadora nata... incapaz de fazer seis embaixadinhas. Coisas típicas de predadora.

No palco da vida melhor atriz não há. Desarma a todos. Tem sempre uma boa e velha piada na bolsa. Justificativas e desculpas, então, nem se fala. Mas - de quando em vez - a danada faz uma carinha de piedade. Uma expressão, assim, de quem está vazia.

Read more...

Quem são eles?

Reporter: Geraldo Honorato 0 Responses
Desde muito tempo estão os “dito cujos” a usufruir da bendita fruta da ignorância alheia, que durante diversas estações lhe renderam festas pomposas, extravagâncias aos filhinhos, salamaleques mil e o duvalier adocicado das comemorações. Têm, certamente, saudade da época em que davam as cartas, desmandavam na cidade e promoviam orgias sob o argumento mal versado do benefício coletivo.

Hoje, sentem-se maltratados. Não suportam esses meninos comunistas metidos a gênio, que para tudo parecem ter resposta. “Não sabem nada. ‘Cambada de sem voto’”, cochicham pelos corredores dos prédios públicos. Muitos deles – os inconformados – agem ainda como se fosse detentores da delegação maioral do povo.

Imorais, inescrupulosos e incompetentes. Não fizeram nada além de surrupiar a merenda do coleguinha e engordar o próprio patrimônio. Bando de escroques. Pensam ser ainda o centro do mundo. Nunca foram. Mercadores de consciência, isso sim! A vida os viveu e não o contrário.

Eles estão chorosos. Consideram os “do passado” mais lucrativos. Afinal, atendiam plenamente e exclusivamente os interesses exclusos do clã hediondo. Como golpistas de berço e deformados de cátedra, vão trair a qualquer momento. É certo que pensam nisso, portanto já o fazem em pensamento.

O aviso está dado, só cai quem quiser.

Read more...

MÚSICA: FLERTE FATAL

Reporter: Geraldo Honorato 0 Responses
Tanta gente hoje descansa em paz
Um rock star agora é lenda
Esse flerte é um flerte fatal
Esse flerte é um flerte fatal
Que vai te consumir
Em busca de um prazer individual
Esse flerte é um flerte fatal
É sempre gente muito especial

Muita gente já ultrapassou
A linha entre o prazer e a dependência
E a loucura que faz
O cara dar um tiro na cabeça
Quando chegam além
E os pés não tocam mais no chão
Esse flerte é um flerte fatal
Esse flerte é um flerte fatal

Esse flerte é um flerte fatal
Esse flerte é um flerte fatal
Esse flerte é um flerte fatal
Esse flerte é um flerte fatal

Read more...

Minha esquadra é espartana. Bora Baêêêêa!

Reporter: Geraldo Honorato 0 Responses
Perdemos, mas lutamos até o último instante. Além do mais, a nossa derrota não pode ser creditada na plenitude a competência do adversário. Muito menos a nossa inoperância.

Fomos gafados sacanamente pelo árbitro, que já havia operado antes para o Vitória em partida contra o Fluminense carioca, válida pelo Campeonato Brasileiro do ano passado. Na ocasião, ele deixou de marcar dois pênaltis a favor do time das Laranjeiras.

Desta vez, o juiz gaúcho – prefiro nem citar o nome - marcou uma penalidade controversa, oriunda de um lance fragoroso de impedimento, e deixou de expulsar o jogador Neto Baiano, do Vitória, que fez e abusou no segundo tempo.

Não ganhamos o Baianão por conta de dois gols. Mas reafirmamos que o Bahia é o time da raça. Passada a raiva e o desapontamento, vem agora o orgulho de ser tricolor e, principalmente, de expressar o que é ser baiano.

Estou confiante para a série B do Campeonato Brasileiro. Precisamos de reforços. Com todo o respeito, Marconi e Evaldo não têm condições técnicas de jogar no Esquadrão de Aço. Precisamos ainda de um “homem gol”.

Read more...

Poesia sem nome

Reporter: Geraldo Honorato 0 Responses
Quisera algo pra mensurar a dor

Pungente, daquelas silenciosas, cruéis e fatais;

Como o desejo amordaçado de quem ama,

Mas não pode, por pseudo pecado, dizer o nome do ser amado.

Só quem amou assim pode entender.

Corrói saber que o seu, neste momento, é de outrem;

Simplesmente o seu amor não o pertence.

Tão perto, distante, presente e ausente;

Passado praticamente dista e não existe.

Read more...

Lisergicamente

Reporter: Geraldo Honorato 0 Responses
Assim... acontece bem de repente e sem aviso prévio. O ideal, pelo menos para as grandes e boas histórias, é que o indivíduo acometido não tenha tempo e espaço para reagir. Aliás, tentativas de reação só pioram a situação, pois trata-se de uma briga desigual. De remédio, só há o tempo. O medicamento, porém, pode ter, a depender das respostas aos estímulos, um grave efeito colateral: a dependência.

Afinal, do que se trata o "textículo" acima?

Read more...

O costume do cachimbo deixa a boca torta

Reporter: Geraldo Honorato 0 Responses
Conta um certo adágio popular que, em época de eleição, os políticos beijam meninos catarrentos aos montes, comem infinidades de bolos solados e, sem esboçar a menor repulsa, pisam na mais nojenta lama em busca do produto mais desejado do momento: o voto. E foi assim, em uma das caçadas cotidianas ao “ouro de Moscou”, que um experiente candidato a vereador – vencedor e perdedor de muitos pleitos – rendeu subsídios à história relatada abaixo.

Em tempo de vacas magras e com baixa popularidade junto ao eleitorado, Roy Corrói, depois de quase uma década fora do poder, finalmente resolveu voltar à cena política. Como bom candidato de oposição, tinha clareza de que a periferia era o melhor lugar para “dar pau” nos governantes da vez, afinal é lá, na escória, onde as diferenças sociais e a má prestação dos serviços públicos são mais latentes. Portanto, para o objetivo em questão, valia regra do “quanto pior melhor”. Diante dessas condições objetivas, o discurso inflamado de Martelada, apelido conferido na época em que era agitador do movimento operário, fluía com naturalidade e soava como música aos ouvidos daquela gente insatisfeita por natureza.

Do alto do velho carro de som, uma quase finada Caravan modelo 1976, que também servia de palanque improvisado, Roy Corrói observava atentamente a expressão de cada um dos espectadores. A platéia não era numerosa, se resumia tão somente a uns 30 gatos pingados, mas, como pontuou um dos futuros assessores da eleição ainda incerta, já havia sido pior em outras épocas. Além do mais, a tendência natural é de que cada ouvinte passasse a ladainha proferida adiante, contagiando amigos e familiares.

A peleja político-partidária daquele dia estava praticamente concluída, restava apenas - encerrada o “parlação” – esperar os cabos eleitorais concluírem a distribuição dos panfletos confeccionados às duras penas na gráfica de um amigo e ex-signatário dos ideais revolucionários de outras épocas. De repente e oportunamente, chega um dos “frentes de massas” trazendo a informação de que um dos moradores mais populares e respeitados é um antigo admirador de Martelada. Mais do que isso: deseja conhecê-lo, a fim de expressar admiração e (por que não?) organizar uma grande e densa reunião de apoio.

O ímpeto foi de conhecer logo o “oráculo comunitário” e, a partir disso, iniciar a colheita dos frutos políticos que isso – mais tarde - renderia, mas Corrói tinha experiência suficiente para saber que cada coisa acontece no tempo certo. Ora, o bem se executa aos poucos, deglute-se com frieza e parcimônia. Lembrou-se que o candidato a prefeito da sua coligação faria um comício naquele reduto de miseráveis dali a uma semana. Essa seria, então, uma excelente oportunidade de mostrar liderança e impor respeito.

Afastou de prontidão a idéia de conhecer o velhusco naquela hora e tratou, através de “procuradores”, de ajeitar as bases para que o encontro acontecesse em sete dias, logo depois do comício do seu prefeiturável, um sujeito polido, sério e que não parecia ter a menor vocação e nem saco àquela dimensão política, tal era a sua indiferença em algumas situações. Sabia-se, inclusive, por todos os envolvidos na campanha que ele não conseguiu estabelecer uma relação amigável com martelada. Eram muito diferentes e estavam em patamares distintos. Um estava em pleno gozo do mandato de deputado federal, disputando circunstancialmente a prefeitura de uma cidade com a qual não tinha identidade. Já o outro, que também havia experimentado a glória e respirado o ar rarefeito dos “que ficam de salto alto”, travava uma briga incansável para voltar a ser “alguém” na vida.

Passados sete dias, lá estavam todos espremidos no apertado palanque de pouco mais de cinco metros quadrados. Cada candidato a vereador matutando a melhor forma possível de utilizar os míseros dois minutos que cada um deles tinha à disposição. Basicamente, o tempo dava somente pra fazer uma brevíssima saudação e informar o nome e o número pelo qual cada um concorria a uma cadeira na câmara municipal. A mediocridade era tamanha que alguns sequer conseguiam desempenhar com desenvoltura a tarefa tão risível.

Todos eles faziam, em outras palavras, figuração para o candidato a prefeito, o grande orador e estrela da noite. Roy Corrói estava firme e já havia combinado a visita, logo após o comício, à casa do ancião que ajudaria a elevar o seu prestígio junto ao staff geral da campanha. Horas antes de subir no palanque, ficou sabendo que o seu futuro apoiador perdeu visão quatro anos antes, dias após completar 72 anos de idade.

Encerrado o comício, realizado com relativo sucesso e embalado ao som do jingle ambientado em melodia arrochante, a trupe política, incluindo a equipe de marketing eleitoral, dirigiu-se para a casa do velhinho, a esta altura do campeonato já se sabendo chamar de Seu Herculano.

O portão de zinco da casinha simples de muro chapiscado estava escancarado e era a senha para que todos entrassem e vissem a terna cena do abraço de Seu Herculano no seu ídolo. Roy Corrói deixou que a sua corda de caranguejos, autodenominada assessoria, fizesse as honras da casa. Sentado em uma cadeira de ferro de construção, ornada em fios de plástico da cor verde, o velho Herculano espreitava cegamente a cena, transmitindo segurança e a sabedoria peculiar aos amigos-irmãos do tempo.

Feita toda a cena, um desses relações públicas naturais da vida, em outra situação geográfica chamado de “simidão”, apressou-se em efetivar o tão esperado encontro.

- Seu Herculano, trouxemos o vereador Roy Corrói para conhecer o senhor.
- Ô, meu fio, cadê a ele? Esperei tanto por esse momento – disse o ancião com a voz levemente afetada pela emoção.
- Vou dar um abraço nele. Se aproxime, por favor – completou.

Apreensivo, Martelada deu três passos à frente e ergueu a mão direita para cumprimentar o admirador. Querendo se certificar de que estava realmente ao lado do político admirado, Seu Herculano perguntou novamente se era o candidato que estava ali, a poucos metros dele. Ouviu um sim coletivo.

Encorajou-se e deu um tapa cinematográfico na face de Corrói, que, sem entender nada, ficou inicialmente sem reação. Em um segundo momento, xingou - de nomes impublicáveis - o assessor que armou o encontro. Saiu apressado, sem saber que jamais sairia da memória coletiva daquele povo. Foi o escolhido, até injustamente, para o dia do troco.

Isso mesmo: o dia em que o povo miserável deu um tapa na cara dos políticos. Poderia ter sido com qualquer um, mas quis o destino que o escolhido fosse Roy Corrói, que dias depois ganhou a eleição e, de quebra, aprendeu que a horda tem lampejos de consciência e costuma selecionar símbolos de vez em quando para cravar – entre tapas e falsos beijos – a máxima popular que diz “Aqui não. Basta!”.

Read more...

Nem sempre os melhores ganham

Reporter: Geraldo Honorato 0 Responses
Dois dos principais quadros da política brasileira do século passado, Luiz Carlos Prestes e Ulysses Guimarães, tiveram, além do espírito democrático e da liderança incontestável, outro traço em comum. Ambos, embora o primeiro deles tivesse inspirações mais revolucionárias, não tiveram a oportunidade e a honra de comandar a nave-mãe chamada Brasil.

Ulysses foi o que chegou mais perto. Foi, inclusive, candidato a presidente em 1989. Sem transferir o prestígio e a popularidade adquirida com a campanha da Diretas Já!, terminou a disputa em um frustrante sétimo lugar.

O senhor Diretas, como ficou conhecido, foi um dos principais articuladores da redemocratização do país. Sem a condução dele, que também foi presidente da Assembléia Nacional Constituinte, a Constituição de 1988 certamente não seria a mesma.

Dirigente comunista de grande respaldo popular, o Cavaleiro da Esperança, apelido dado a Luiz Carlos Prestes por Jorge Amado, passou quase um terço de sua vida preso. Amargou, juntamente a esquerda da época, os erros de uma estratégia sectária de tomada do poder, que desconsiderava o fator mais elementar das transformações sociais: o povo.

Prestes foi senador da República por míseros dois anos. Na metade do mandato, teve os direitos políticos cassados pela ditadura do presidente Eurico Gaspar Dutra. Ulysses, o maior parlamentar brasileiro de todos os tempos, foi deputado por 11 legislaturas consecutivas. Na presidência da Câmara Federal, teve três experiências (1956-1957, 1985-1986 e 1987-1988).

Tanto o Cavaleiro da Esperança quanto o Senhor Diretas foram, sem dúvidas, parte substancial do que existiu de melhor em suas épocas. Não presidiram a nação, para o azar povo. Mesmo assim se tornaram sujeitos ativos da história e exemplos concretos de que as grandes vitórias nem sempre pertencem aos melhores combatentes.

Read more...